Toda prática tem uma teoria. Paulo Freire.

Buscando aprimorar nossa prática como profissionais da educação Básica , o grupo de estudos em alfabetização reune-se uma vez ao mês para estudizos da Teoria Pós-Construtivista- Esther Pillar Grossi usando a metodologia do GEEMPA como norteadora de suas práticas. Em nossos estudos estudamos os pressupostos teóricos, desenvolvemos materias para aplicarmos em nossas turmas de atuação, fizemos estudos de caso e auxiliamos umas as outras nas dúvidas quanto ao andamento do trabalho. Como meta temos a produção e divulgação de nossos saberes e práticas por meio de publicações. Estamos engatinhando no processo , mas temos ambições de grandes voos.

sábado, 9 de junho de 2012

UM ÓTIMO TEXTO DO GEEMPA PARA NOSSO GRUPO DE ESTUDOS LER E REFLETIR

ALUNOS E ALFABETIZAÇÃO AOS 6 ANOS

Eles estão entre dois extremos muito complementares e penso facilitadores da aprendizagem: querem crescer, estão interessados em estabelecer um lugar diferente de referência no mundo, diferente do que o maternal lhes oferece, pois este tem a tendência de ser infantilizador e de manutenção do ego da mãe, que necessita da dependência do filho para sentir-se pleno.
Tratar os alunos de 6 anos, no 1º ano escolar do ensino fundamental com diminutivos, palavras meladas e pior, dando-lhes colo, como faz uma mãe é tirar-lhes a oportunidade, que na verdade é uma das funções sociais da escola, qual seja a de lhes oferecer uma nova oportunidade de referência no mundo. Com este tratamento, a escola acaba sendo para os alunos, uma extensão do espaço familiar e não a ruptura de que eles tanto necessitam para a construção de uma identidade com competências para transitar em muitos espaços.
No outro extremo: estão ainda emaranhados no mundo do lúdico, dos jogos, da fantasia. Qualquer proposta de jogo, de brincadeiras, como a de que a professora é uma bruxa e vai enfeitiçá-los com o pó que os transforma em estátuas é sempre bem recebida, eles se jogam de cabeça. O que a professora lhes oferecer com entusiasmo será acolhido.
Além da questão psicológica, do ponto de vista cultural, o apelo é intenso: aos 6 anos se entra na escola e a escola é lugar de aprender. Eles estão lá para aprender, todo o contexto lhes favorece.
É o preconceito de que aprender é cansativo o que faz com que o ensino, essencialmente da leitura e da escrita seja, por que não dizer, "evitado" em muitas redes e escolas aos seis anos.
Aprender, segundo Freud, o pai da psicanálise, dá mais prazer que o ato sexual. Por que não alfabetizar aos 6 anos, momento mais propício para isso?
Muitos dirão que os alunos de favelas, de vilas ou zonas rurais, com pais analfabetos, de famílias desestruturadas, aos 6 anos estão imaturos, que não estão socializados, que lhes falta desenvolver outros aspectos, não sabem sentar, pegar o lápis, recortar, etc.
Vygotsky se contrapõe a Piaget, justamente quando apresenta o conceito da aprendizagem como propulsora do desenvolvimento, afirmando exatamente o contrário do que afirmou o mestre Piaget. Os alunos só se desenvolverão se forem acionados em suas competências cognitivas.
Não há nenhum impedimento de se ensinar a ler e a escrever enquanto se ensina a "ser aluno", enquanto construímos o sujeito social cognocente, que aprende as regras da escola, sua funções, os papéis desempenhados ali dentro daquela estrutura social.
O que precisamos é mudar a idéia que está por trás dessa catástrofe de pensar que a alfabetização pode acontecer em até três anos.
Essa idéia de que primeiro o aluno precisa desenvolver aspectos sociais para depois poder aprender conhecimentos científicos, tem sustentado a maior injustiça social já cometida pelas escolas ao longo da história.
A "Partilha da Letra" (Jacques Rancière) não acontece. Há que se domesticar os selvagens antes de lhes oferecer o acesso à riqueza do conhecimento. Antes disso, não são dignos de partilharem da classe dos letrados, que avalia e escolhe seus candidatos segundo critérios preconceituosos.
Dra. Esther Grossi, presidente do Geempa, grupo de estudos, fundador da teoria Pós-construtivista, tem sido a teórica a conseguir concatenar em seus estudos, contribuições de diversas disciplinas, como a psicanálise, a antropologia, a medicina, a filosofia e a mais nova ciência da educação: a didática. Muito de teórico já se construiu cientificamente, mas este grupo de vanguarda tem feito muita ciência a partir da metodologia do ato de ensinar, ou seja, a didática. Tudo isso com uma sólida, coerente e mais que tudo, convergente sustentação teórica.
O Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação, GEEMPA, presidido com paixão pela professora e Dra. Esther Grossi, há 40 anos pesquisa sobre educação.Teve coragem de romper com o construtivismo porque faltavam elementos, dentro desta teoria, para a explicação da prática.
Com o concurso de teóricos internacionais, como Sara Pain, Gèrard Vergnaud, Wallon, Vygotsky, entre outros, o GEEMPA fundou o Pós-construtivismo e tem concretizado experiências exitosas em sala de aula, alfabetizando em 3 meses, e fundamentalmente, alfabetizando todos os alunos de uma turma.
O GEEMPA não estuda somente sobre alfabetização. Os estudos sobre o ensino da matemática, objetivo primário deste grupo, sobre pós-alfabetização, e fundamentalmente, sobre as questões pedagógicas que se aplicam a todos os níveis de ensino, são parte do seu campo de atuação.
Isso mesmo, a mais moderna teoria sobre educação, atualmente, tem origem no Brasil! Sim, aqui no Rio Grande do Sul, na nossa linda Porto Alegre.
Muitos mitos sobre a aprendizagem vêm sendo jogados por terra com a experiência deste grupo.
Alunos com déficit de aprendizagem? Síndromes? Laudos neurológicos? Problemas familiares? Nenhum destes motivos pode impedir a aprendizagem, segundo as experiências reais e de sucesso deste grupo.
(GEEMPA)



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